COP30: o efeito cascata da agenda climática nas MPMEs brasileiras

Em 29 de setembro de 2025, às 16:28


As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) representam hoje 99% de todas as empresas no Brasil, além de responderem por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE); e por 55% dos empregos formais, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Esses números reforçam o impacto expressivo na economia brasileira e a importância que esses negócios têm na sustentabilidade e competitividade do país, principalmente em ano de COP30 (Conferência das Partes da ONU) em solo brasileiro.

A primeira Conferência das Partes da ONU (COP) realizada em Belém será um marco para consolidar o Brasil como protagonista global na agenda climática. O encontro vai ampliar a pressão por descarbonização e eficiência energética, exigindo maior responsabilidade da cadeia produtiva e atraindo investimentos em soluções de baixo carbono. Ao dar visibilidade internacional à Amazônia e reunir autoridades e líderes mundiais, o país reforça sua posição estratégica na transição energética e na construção de uma economia mais competitiva, sustentável e alinhada ao Acordo de Paris.

Por mais que as COPs sejam conhecidas por reunir chefes de Estado, CEOs de grandes corporações e lideranças da sociedade civil para discutir os rumos do planeta diante das mudanças climáticas, as MPMEs também podem ser afetadas indiretamente sobre as decisões ocorridas no evento à medida que fazem parte da cadeia produtiva de grandes indústrias.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 70% das grandes indústrias já exigem critérios ESG de seus fornecedores. Estima-se que até 80% das emissões de carbono de uma grande empresa venha da cadeia de suprimentos (chamado escopo 3), que inclui pequenos fornecedores.

Tais empresas vêm sendo cada vez mais cobradas por investidores, consumidores e regulações a reduzir suas emissões, aumentar a transparência de suas operações e adotar práticas mais sustentáveis. Recentemente, o Fórum Econômico Mundial apresentou uma pesquisa em que apontou uma preocupação dos mais jovens com o ESG (a sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança), influenciando-os em suas decisões de investimento.


Quando a agenda ESG bate à porta
A partir de compromissos assumidos publicamente, como a meta de zerar emissões líquidas até 2050 —, as grandes empresas precisam demonstrar resultados concretos. E, para isso, olham não apenas para o que produzem internamente, mas também para toda a sua cadeia de valor. Isso inclui fornecedores, prestadores de serviço, transportadoras, parceiros logísticos e outros elos fundamentais, onde as MPMEs são maioria.

Na prática, isso significa que as pequenas e médias indústrias, por exemplo, estão sendo chamadas a repensar sua matriz energética, reduzir desperdícios, melhorar a eficiência de seus processos, operação e, inclusive, reportar indicadores ambientais. Não cumprir essas expectativas pode representar a perda de contratos e oportunidades de negócio.


A urgência da eficiência energética
Um dos caminhos mais efetivos para acompanhar essa transformação é a eficiência energética, que traz diversos pontos positivos. Entre eles estão:

• Redução de custos, levando em consideração que a conta de energia elétrica pode representar até 40% dos gastos de uma indústria intensiva em energia;

• Acesso a mercados e contratos com grandes indústrias, especialmente exportadoras, que priorizam fornecedores com compromissos de sustentabilidade;

• Linhas de crédito verdes – bancos e fundos têm ampliado acesso a crédito mais barato para empresas que adotam práticas sustentáveis;

• Contribuição para a descarbonização e alinhamento das metas climáticas globais.

Programas como o PotencializEE, que oferece diagnóstico completo e apoio técnico para MPMEs industriais no Estado de São Paulo, têm demonstrado como é possível transformar esse desafio em oportunidade concreta.

Com apoio técnico qualificado, linhas de crédito acessíveis e mecanismos como o Fundo de Aval da Eficiência Energética (FAEE), pequenas e médias indústrias conseguem modernizar suas operações e atender às exigências crescentes dos mercados nacional e internacional.


Cases de sucesso
A Hausthene Poliuretano implementou medidas de eficiência energética com o apoio do programa PotencializEE, com redução significativa no consumo de energia e nas emissões de CO₂. A Hausthene, que atua no mercado de poliuretano elastomérico, identificou o alto consumo de energia em seus fornos e estufas elétricas como um ponto de melhoria. Com o suporte do PotencializEE, a empresa implementou um novo compressor e outras ações, que resultaram em uma redução de aproximadamente 40% no consumo de energia, além de reduzir cerca de 500 toneladas de emissões de gases de efeito estufa.

A Particolare Sobremesas Congeladas, com apoio técnico do SENAI-SP e financiamento da FINEP, implementou projeto de eficiência energética de R$ 1,7 milhão por meio do PotencializEE. As medidas incluem modernização do sistema de congelamento e bomba de calor, com potencial de reduzir 45% do consumo de energia e 65% das emissões de gases de efeito estufa.

Olhar para o futuro começa agora
À medida que a agenda climática avança e ganha força nos fóruns globais, como a COP, as exigências sobre toda a cadeia produtiva tendem a aumentar. Nesse cenário, as MPMEs que se anteciparem sairão na frente: não só terão mais chances de manter e conquistar contratos com grandes empresas, como também estarão mais preparadas para um mercado que valoriza inovação, responsabilidade ambiental e eficiência. O futuro dos negócios começa dentro da sua empresa.

Fonte: Programa PotencializEE