Saiba quais são as principais tendências de eficiência energética para 2026

Em 2 de fevereiro de 2026, às 16:53


A eficiência energética na indústria é um ganha-ganha: reduz custos no curto prazo e constrói resiliência diante da volatilidade dos preços de energia e mudanças regulatórias. Também é essencial nos esforços globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Entre as muitas tendências traçadas pelo último relatório Perspectivas da Energia Mundial, publicado em novembro de 2025 pela Agência Internacional de Energia (IEA), estão a crescente necessidade mundial de serviços de energia nas próximas décadas – com aumento da demanda por aquecimento, refrigeração, iluminação e outros usos industriais e, cada vez mais, por serviços relacionados a dados e inteligência artificial.

Segundo o mesmo relatório da IEA, os processos industriais representam 38% do consumo global total de energia. Enquanto isso, entre 2024 e 2025 as emissões de CO2 geradas pelo setor diminuíram mais de 5%. Com a crescente pressão para atingir metas de emissões líquidas zero até meados do século, as indústrias estão se voltando para tecnologias e práticas de eficiência energética como parte de estratégias mais amplas de descarbonização e perenidade dos negócios.

De olho em 2026, traçamos algumas tendências na aplicação da eficiência energética nas indústrias do Brasil e do mundo:

Eletrificação de processos industriais

A eletrificação está ganhando espaço, especialmente em processos de alta temperatura. A IRENA (Agência Internacional de Energias Renováveis) prevê que a eletrificação pode atender até 50% das necessidades energéticas em setores industriais, especialmente ligados ao aço e máquinas até 2040, apoiada por infraestrutura renovável. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor industrial é responsável por 31,8% do consumo nacional de eletricidade, ocupando uma posição central na dinâmica do sistema elétrico.

Integração de manufatura inteligente e IoT Industrial (IIoT)

O uso de IoT em ambientes industriais está acelerando, com mais de 40% dos fabricantes globalmente adotando soluções de gestão energética baseadas em IoT (Fonte: Deloitte). Esses sistemas permitem monitoramento em tempo real, detecção de falhas e análises preditivas, reduzindo o desperdício de energia em 30%-50%, com base em benchmarks do setor. Tal automação permite um controle fino sobre o consumo energético, ajustando cargas, evitando picos desnecessários e ampliando a eficiência operacional. 

Programas de resposta à demanda de energia

À medida que as redes de energia se tornam mais dinâmicas, participantes de programas de resposta à demanda podem economizar 20%-30% nos custos de eletricidade, segundo o Departamento de Energia dos EUA (DOE). Grandes consumidores industriais são incentivados a deslocar operações não críticas para horários fora do pico. Pequenas e médias indústrias também estão hábeis a seguir a mesma tendência.

Práticas de economia circular

Modelos circulares devem economizar 7-12% do uso de energia industrial por ano, particularmente através da recuperação de calor industrial e reciclagem de resíduos, conforme um estudo da Ellen MacArthur Foundation. Um bom exemplo são as bombas de calor, uma tecnologia que ganha espaço na indústria brasileira capaz de utilizar o calor excedente de outros equipamentos ou a energia térmica presente no ambiente, reduzindo a necessidade de produzir calor a partir de fontes não renováveis.

Energia Renovável descentralizada

Até 2025, espera-se que 60%-70% dos fabricantes adotem soluções de energia renovável localizadas, como painéis solares ou turbinas eólicas em seus próprios locais de produção, segundo dados da Renewable Energy Policy Network for the 21st Century (REN21). No Brasil, a geração distribuída cresce anualmente, sendo que 99% dela provém da energia fotovoltaica. Para 2026, além da expansão da capacidade instalada, a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) espera avanços tecnológicos, maior integração com sistemas de armazenamento de energia para os consumidores e o crescimento de modelos coletivos, como condomínios solares.

Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS):

CCUS é fundamental para setores com alta intensidade energética. O Global CCS Institute informa que a capacidade global de armazenamento deve crescer em 80% até 2026, reduzindo ineficiências energéticas relacionadas aos processos.

Em dezembro de 2025, consulta pública aberta pelo Ministério de Minas e Energia (MME) recebeu contribuições para para discutir o decreto que regulamenta as atividades de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS); Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) e Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) no Brasil. A meta é criar uma regulação que estimule novos modelos de negócio em captura e armazenamento de carbono, abrangendo centros industriais e cadeias vinculadas à bioenergia.

Eficiência como estratégia

Todas as tendências listadas refletem o quanto a eficiência energética é uma parte indispensável da estratégia industrial. Ao adotar tecnologias inovadoras, superar barreiras de implementação com o apoio de programas como o PotencializEE e manter-se à frente das expectativas regulatórias, as indústrias passam a ser parte fundamental na preservação do meio ambiente ao mesmo tempo em que impulsionam o crescimento da empresa a partir de novas tecnologias.

Fonte: Programa PotencializEE